• Helen Mazarakis

#Interoperabilidade: o futuro da saúde.

“Agora, sim! Com as ferramentas que implantamos, com o nível de automação que já atingimos nos processos, junto à jornada dos pacientes, além dos devices que eles estão usando, já temos o suficiente para dizer que elevamos nosso modelo de negócio e atuação para a esfera digital.”


A frase é hipotética, mas retrata uma situação bastante típica atualmente. Apesar de serem frentes relevantes e de ser um bom ponto de partida para qualquer estratégia de transformação digital, preparar seu processo, suas pessoas e seu negócio para ser um hub, tratando o dado como o fim da linha, o objetivo central da estratégia, é um erro. Mesmo porque, dado, por si só, é um “bando de dados”, são linhas sem significado e sem aplicabilidade. Dado é recurso primário para a estratégia, é insumo para algo maior, e definitivamente não é papel digital. Quando organizados, ordenados e avaliados de forma crítica, você passa a ter como seu output informações e insights. Estes sim, necessários e fundamentais à tomada de decisão. O valor está aí! Não necessariamente no volume, mas na capacidade de significar, conectar, integrar, estruturar e interpretar o que têm a nos mostrar.


E quando a gente fala de saúde, o “buraco é mais embaixo” ainda. O problema está na natureza fragmentada do sistema, que não nasceu e nem evoluiu para uma visão voltada ao desenvolvimento do trabalho colaborativo, em ecossistema. O que temos são diversas ferramentas, sistemas e plataformas que, muitas vezes, se sobrepõe quanto à captura de dados e geram um tráfego vultuoso em seus big datas, sem haver um mínimo de integração entre si. A grande questão é que trabalhar assim, de maneira estanque, gera perda de produtividade, influencia no tempo de resposta para um paciente, que poderia se beneficiar rapidamente de informações integradas, deixa de contribuir para ações mais efetivas em termos de saúde populacional, diminui a assertividade de políticas de saúde, entre outras muitas possibilidades que poderíamos conjecturar juntos.


Felizmente, o mercado já acordou para essa realidade e já tem muita gente preocupada em solucionar essa lógica, não muito lógica, diga-se de passagem. Inclusive, fazer isso tem um nome: INTEROPERABILIDADE. Aliás, no meu ponto de vista e na visão de centenas de especialistas, essa é a grande tendência para o health business e foi exaustivamente mencionada durante o último Healthcare Innovation Show 2019, o mais importante evento de tecnologia em saúde da América Latina, realizado nos últimos 18 e 19 de setembro, em São Paulo.


Engana-se quem acredita que a interoperabilidade restringe-se a integrar redes e sistemas. Também é, naturalmente! Mas, ao falar dessa abordagem, precisamos ir além dessa nuance técnica, compreendendo, especialmente na área de saúde, outros níveis de colaboração necessários; como entre pessoas, normas e leis, como é o caso do protagonismo que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) vem assumindo dentro desse contexto, políticas, modelos tecnológicos, como em diversos exemplos de plataformas construídas em blockchain, e, principalmente, objetivos estabelecidos de maneira clara e transparente. A tendência é que as tecnologias sejam cada vez mais interoperáveis daqui para frente, nascendo com padrões abertos, de fácil integração, com alto nível de segurança e que as culturas organizacionais, juntamente com o aumento de maturidade e eficiência de gestão, suportem de maneira sustentável o esforço contínuo de atuação em rede.


É preciso estar preparado para maximizar as oportunidades que virão com essas trocas e reuso de dados e informações. Devemos lembrar que o diferencial de nosso negócio não está na captação, mas na nossa capacidade de depurar esses elementos e gerar insights relevantes para cada objetivo específico. O que já se apresenta como realidade exige de cada um de nós ainda mais adaptabilidade, resiliência e modelo mental sistêmico e estratégico.


Photo by Rodolfo Cuadros on Unsplash


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